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A rotina dos taxistas de Salvador tem se transformado em um risco silencioso para a saúde. Segundo dados da Associação Geral dos Taxistas (AGT), somente nos últimos dois meses, 17 profissionais morreram em decorrência de infarto na capital baiana.

O caso mais recente aconteceu no Aeroporto de Salvador, no dia 25, quando o motorista Almir Pinto Bahia, de 46 anos, foi encontrado morto dentro do carro. Colegas estranharam o tempo em que ele ficou parado com o ar-condicionado ligado e, ao verificar a situação, precisaram quebrar o vidro para resgatar o corpo. Segundo relatos, Almir estava sobrecarregado, trabalhando em um carro alugado com taxa diária de R$ 100, além de enfrentar o estresse e a desmotivação da rotina.

Doenças e longas jornadas

De acordo com o presidente da AGT, Denis Paim, a categoria enfrenta uma série de problemas de saúde que vão muito além do coração. Hipertensão, obesidade, diabetes, infecções renais, ansiedade e estresse crônico estão entre as principais queixas dos motoristas.

Muitos profissionais chegam a rodar até 18 horas por dia, muitas vezes sem pausas adequadas para alimentação ou descanso. Esse cenário cria um ciclo de desgaste físico e mental que, somado ao sedentarismo e à má alimentação, aumenta significativamente os riscos de infarto e AVC.

Violência e concorrência agravam quadro

A insegurança também pesa. Somente até agosto deste ano, 194 taxistas foram assaltados em Salvador, com 17 veículos levados por criminosos. Embora o número seja 24% menor em relação ao ano passado, a violência segue como fator de tensão diária.

Além disso, a concorrência com os aplicativos e o transporte clandestino aumenta a pressão sobre a categoria, reduzindo ganhos e intensificando a necessidade de trabalhar longas jornadas para compensar os custos.

O que dizem os especialistas

O cardiologista Marcos Barojas, do Hospital Mater Dei Salvador, explica que o estresse crônico libera cortisol de forma constante no organismo, o que eleva a pressão arterial, o açúcar no sangue e afeta diretamente o sistema cardiovascular. “O sedentarismo e a alimentação de baixa qualidade, com consumo excessivo de ultraprocessados, completam o cenário que aumenta os riscos de infarto”, alerta.

Necessidade de cuidados urgentes

Para a AGT, é fundamental que sejam implementadas ações de saúde diretamente nos pontos de táxi, já que muitos profissionais evitam procurar médicos para não perder clientes. “A gente não aguenta tanta pressão, o coração é fraco”, resume Denis Paim.

O alerta é claro: se nada mudar, a vida de quem conduz diariamente milhares de passageiros continuará em risco.

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