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A disparada dos preços das corridas por aplicativos registrada ao longo de 2025 tem provocado uma mudança significativa nos hábitos de mobilidade no Rio de Janeiro, levando muitos usuários a retornarem ao táxi tradicional ou mesmo a optarem por caronas com amigos e familiares. Os números mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a categoria “transporte por aplicativo” foi a que mais subiu dentro do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano passado – com aumento médio de 56% em todo o país. Cidades como Recife, Vitória, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília tiveram elevações ainda superiores em alguns períodos.

Impacto direto no bolso e nos hábitos de deslocamento

Para muitos cariocas, a conveniência que marcou os anos anteriores com preços baixos e ampla oferta de carros acabou. Usuários relatam que pedir um veículo por aplicativo virou exceção, e que é cada vez mais comum reorganizar rotinas para evitar custos elevados. A alta nos preços e a lógica de tarifas dinâmicas – que variam conforme oferta e demanda – tornam o custo das viagens imprevisível, especialmente em horários de maior movimento ou clima adverso. Especialistas em transporte urbano explicam que essa oscilação impacta diretamente quem precisa se deslocar para o trabalho ou compromissos diários.

Táxi tradicional de volta ao radar

Com a perda de competitividade dos apps, o táxi tradicional voltou a conquistar espaço no cotidiano dos cariocas. Diferentemente dos serviços por aplicativo, que variam o preço conforme a demanda, o táxi segue regulamentação com tarifas mais estáveis – mesmo com reajustes anuais previstos pela Prefeitura do Rio de Janeiro. No Rio, o aplicativo oficial Táxi Rio, mantido pelo município, também entrou na disputa oferecendo descontos que variam de 10% a 40% no valor da corrida, o que tem atraído passageiros que buscam previsibilidade e economia.

Em simulações de corridas nos principais horários de pico, trajetos semelhantes mostraram diferença de valores considerável entre apps de transporte e táxi com desconto. Isso reforça a alternativa dos táxis como opção vantajosa, principalmente em trechos curtos ou bem servidos pela frota de “amarelinhos”.

Motoristas de app enfrentam dificuldades

Apesar do aumento nas tarifas ao consumidor, muitos motoristas afirmam que essa alta não se reflete na renda recebida. Segundo representantes da categoria, a porcentagem retida pelas plataformas tem aumentado, fazendo com que, em muitas vezes, aceitar corridas com preços baixos se torne inviável – chegando a situações em que o motorista gasta mais com combustível e manutenção do que recebe pela corrida.

Repercussões e defesa do consumidor

A alta expressiva também chamou a atenção dos órgãos de defesa do consumidor. No Rio de Janeiro, o Procon-RJ autuou plataformas como Uber e 99 por não apresentar explicações consideradas adequadas sobre os reajustes observados no serviço, e o processo administrativo segue em andamento. Enquanto isso, as empresas que representam os apps defendem que os ajustes de preço são necessários para equilibrar a oferta e a procura e contestam a metodologia utilizada pelo IBGE para calcular os índices de inflação do setor.

Conclusão

A atual conjuntura no transporte urbano evidencia uma mudança de cenário: após anos de liderança no mercado de mobilidade individual, os aplicativos de transporte enfrentam retração de uso frente a custos elevados e disponibilidade limitada, abrindo espaço para a retomada do táxi tradicional e fortalecendo alternativas como caronas e transporte público para uma parcela crescente da população carioca.

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