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Mesmo com queda na frota, taxistas apostam na fidelização e no atendimento personalizado para enfrentar a concorrência dos aplicativos


Em meio à forte concorrência dos aplicativos de corrida, os taxistas de Campo Grande seguem mostrando resistência e reinventando o modo de atender os passageiros. Segundo dados da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), a frota da capital caiu 10% em cinco anos, passando de 579 para 521 táxis regulares. Ainda assim, o setor se mantém firme — apoiado em histórias de dedicação, vínculos de confiança e tradição familiar.

Com cerca de 70 pontos espalhados pela cidade, muitos motoristas atuam de forma independente, focando em serviços sob demanda e atendimento personalizado. “Eles sempre confiaram no táxi, porque somos fiscalizados, temos curso, tudo certinho. Tem gente que ainda prefere a gente porque se sente mais segura”, afirma Nair Espindola, conhecida como Naná, que trocou a carreira de bancária pelo volante há 26 anos.

A queda nas corridas é sentida desde a chegada dos aplicativos em 2014. De acordo com a Coopertaxi, o número médio diário caiu de 4 mil viagens em 2016 para 1,5 mil em 2025. Mesmo assim, motoristas como Marilza Andressa da Silva, que herdou o ponto do marido falecido, continuam acreditando na recuperação do setor.

“Quem gosta de táxi não anda de aplicativo. O táxi é mais seguro, o carro é limpo e o cliente sempre volta”, afirma.

Entre os passageiros, o atendimento próximo segue sendo o diferencial. Serviços como ajuda com compras, entregas de remédios e transporte de rotina de idosos têm fidelizado clientes que valorizam a confiança construída ao longo dos anos.

Para Iairis Gonçalves, taxista há dez anos, a chave está na adaptação:

“Hoje o taxista entendeu que precisa vender seu serviço. Temos clientes de mais de dez anos e um público que prefere o táxi pela segurança e pela previsibilidade”, explica.

O Sindicato dos Taxistas de Campo Grande (Sindtaxi), presidido por Flávio Panissa, acompanha com preocupação a redução das permissões. Segundo ele, mais de 100 alvarás foram devolvidos e o município não tem realizado novas licitações desde 2018.

“O poder público precisa olhar para a categoria. A frota caiu, mas o serviço continua essencial para a mobilidade urbana”, afirma Panissa.

Mesmo com a retração da frota e reajuste das tarifas, os profissionais seguem otimistas. Para muitos, o táxi continua sendo símbolo de confiança, segurança e tradição — qualidades que nenhuma tecnologia conseguiu substituir.


Em Campo Grande, o táxi segue resistindo — movido não apenas a combustível, mas à história e à relação de confiança entre motoristas e passageiros, que mantêm viva uma das profissões mais tradicionais do transporte urbano brasileiro.

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