espirito santo

Vitória, ES – Aos 82 anos, Clóvis Ferreira da Silva é hoje o taxista mais antigo em atividade na capital capixaba. Há mais de cinco décadas, ele está fixo na Praça Costa Pereira, no coração da cidade. Foi em 1972, após deixar um emprego como motorista em uma empresa privada, que Clóvis decidiu dedicar-se ao táxi — e não largou mais o volante.

Quando começou, Vitória ainda era uma cidade em transição — vários bairros ainda mantinham casas de madeira e extensos manguezais. Ao longo dos anos, Clóvis se tornou um observador da transformação urbana, acompanhando o progresso da capital: o crescente tráfego nas avenidas e o florescimento do comércio local.

No entanto, os tempos mudaram. Clóvis testemunha hoje um cenário distinto no centro da cidade: “Havia muito mais gente. Agora ficou tudo fechado, meio abandonado. Aqui na praça passavam tantas pessoas que era até difícil andar. Hoje dá para contar quantas tem.”

Morador de Vila Capixaba, em Cariacica, Clóvis sai de casa bem cedo e inicia o expediente por volta das 6h30, permanecendo na praça até o fim da tarde, de segunda a sexta-feira — tudo isso há impressionantes 53 anos trabalhando no mesmo ponto.

Seus destinos mais frequentes incluem bairros como Praia do Canto, Jardim da Penha, Jardim Camburi e até o município vizinho, Vila Velha. Clóvis prefere atender passageiros de confiança — pessoas desconhecidas ele costuma recusar. Com clientes fixos, chega até a fazer corridas mais longas em outros municípios capixabas.

Mesmo já aposentado, Clóvis mantém seu compromisso com a profissão. No entanto, com o ritmo diminuindo e os anos pesando, ele planeja encerrar sua jornada até o fim de 2025. “Gosto de Vitória completa, dela toda! Praticamente criei meus filhos trabalhando aqui”, conclui.

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