Taxista de Taiwan passou a ajudar diariamente um idoso de 85 anos após perceber, durante uma corrida, que o passageiro precisava de companhia e assistência
Uma corrida de táxi que poderia ter terminado após o desembarque se transformou em uma relação de amizade, cuidado e vínculo familiar que durou quase uma década. O caso aconteceu em Taiwan e começou quando o taxista identificado pelo sobrenome Ting recebeu como passageiro um idoso de 85 anos, identificado como Chen.
Durante o trajeto, Chen contou ao motorista que se sentia deixado de lado pelos cinco filhos. Sensibilizado com a situação, Ting decidiu manter contato com o passageiro e, com o passar do tempo, passou a visitá-lo com frequência. Segundo o próprio taxista, as visitas aconteciam quase diariamente e incluíam tarefas como preparar e levar almoço e jantar, além de ajudá-lo no banho e em outros cuidados do dia a dia.
A convivência fez com que a relação entre os dois ultrapassasse os limites de uma simples amizade. Chen decidiu adotar Ting como filho e, antes mesmo da formalização da adoção, iniciou a transferência de parte de seu patrimônio para o taxista.
Em 2009, nove dos 13 terrenos pertencentes ao idoso foram doados a Ting. As propriedades, localizadas na região de Nova Taipei, incluíam terrenos agrícolas. A adoção foi formalizada no ano seguinte, em 2010. Chen, porém, morreu em 2012, antes que a transferência dos quatro terrenos restantes fosse concluída.
Disputa familiar terminou na Justiça
Após a morte de Chen, a filha mais velha do idoso contestou a transferência dos quatro terrenos que ainda não haviam sido registrados em nome de Ting. Ela alegou, entre outros pontos, que o pai poderia estar sob efeito de álcool quando assinou documentos relacionados à transferência das propriedades.
A família também apresentou uma versão diferente sobre os cuidados prestados ao idoso. Segundo a filha, Chen não havia sido abandonado pelos filhos e recebia assistência dos familiares, inclusive com revezamento entre os irmãos. Ting, por sua vez, afirmou que decidiu ajudar porque o filho mais novo do idoso tinha problemas de saúde e não conseguia cuidar sozinho do pai.
O caso foi analisado pelo Tribunal Distrital de Nova Taipei. De acordo com a reportagem, a Justiça considerou as circunstâncias da decisão de Chen e entendeu que a transferência dos imóveis havia sido feita por vontade própria. Com isso, determinou que os quatro terrenos restantes fossem transferidos para Ting.
O episódio ganhou repercussão justamente pela maneira como uma relação iniciada dentro de um táxi acabou se transformando em um vínculo familiar. Mais do que o patrimônio envolvido na história, o caso chama atenção para a proximidade que pode surgir entre taxistas e passageiros, especialmente em situações em que o profissional percebe que, além de uma corrida, existe uma pessoa precisando de atenção, companhia ou ajuda.






