Em 2 de setembro de 2025, o jornal A Cidade trouxe à tona um cenário preocupante para os profissionais do táxi em Votuporanga: a profissão, antes símbolo de tradição e referência de transporte seguro, está caminhando para a extinção
O exemplo de Walter
Waldevino Antônio Batista, conhecido como Walter, é a face desse declínio. Aos 77 anos, são 54 anos dedicados à atividade, desde 12 de março de 1969. Ele prevê que, em cerca de seis anos, restarão apenas uma “meia dúzia” de taxistas em operação.
Dados alarmantes
- Atualmente, há 66 táxis registrados, mas apenas até 30 estão em circulação — uma queda de mais de 50% nos últimos anos.
- Os pontos de táxi se reduziram a apenas três: Praça da Matriz, Santa Casa e rodoviária. O tradicional ponto da Praça São Bento já não recebe mais veículos.
Causas da queda
- Aplicativos de transporte: tomaram boa parte da clientela, reduzindo significativamente a demanda pelos táxis tradicionais.
- Impacto da pandemia: diminuiu o movimento e acelerou o abandono da profissão.
- Custos operacionais elevados:
- Taxa de solo + ISS somam cerca de R$ 100 por mês, pagos à Prefeitura.
- Preço dos combustíveis pressiona ainda mais o caixa dos taxistas.
- Além disso, o valor médio por corrida entre táxi e aplicativos pode variar entre R$ 3 e R$ 5, em desfavor dos taxistas.
Reflexão para o leitor do Taxinforme
1. A profissão está em xeque — e não só em Votuporanga
Esse quadro não é isolado. O avanço dos aplicativos e os altos custos operacionais desafiam a manutenção da atividade em diversas cidades. Ainda que existam oportunidades de adaptação — via tecnologia, associações ou cooperativas — o modelo tradicional exige revisão urgente.
2. União faz a força
Em locais como São Paulo e Rio de Janeiro, muitos taxistas recorrem a cooperativas ou associações para reduzir custos e ampliar visibilidade. Seria interessante explorar modelos semelhantes ou fortalecer as já existentes para reduzir taxas, compartilhar recursos e negociar combustíveis ou manutenção com mais força.
3. Diversificação e inovação são caminhos
Uma estratégia vital pode ser a integração de tecnologia própria: apps de reserva, sistemas de fidelização, parcerias com estabelecimentos locais. Aparelhos como totens em pontos estratégicos ou convênios com hotéis, clínicas e comércios poderiam gerar demanda.
4. A importância da voz ativa e do diálogo com o poder público
O diálogo com as prefeituras pode resultar em políticas diferenciadas, como redução de tributos ou subsídios temporários para momentos de crise. É um caminho para tentar equilibrar as condições frente aos apps.
5. Valorização da marca e do atendimento
O legado de quem está há décadas na rua — como Walter — deve ser valorizado. Profissionalismo, segurança e conhecimento do trânsito podem ser diferenciais. Incentivar esse padrão pode atrair uma clientela que busca confiança e proximidade.
Conclusão
O relato de Votuporanga é um sinal de alerta para os taxistas de todo o país. A profissão, que sustentou famílias e cidades por gerações, enfrenta desafios reais. Mas há soluções — união, inovação, modernização e representatividade podem pavimentar um futuro mais sustentável.
No Taxinforme, o compromisso é trazer essas discussões, fortalecer a categoria e compartilhar estratégias que ajudem o caminho adiante. Afinal, tradição e adaptação podem caminhar juntas — com vontade, criatividade e apoio coletivo.






